quinta-feira, 30 de agosto de 2012
VENIMIM
Corram e peguem a pipoca. Estamos presenciando um dos maiores absurdos da história da educação latino-americana. Excluir metade dos estudantes, como se eles não tivessem mérito ou dignidade nenhuma, não tem nada de democrático, parece-me muito mais uma ditadura. Cai mais uma vez a máscara do PT? "Abre a caixa, Pandora", esbravejou Lula. Medidas esdrúxulas e demasiadamente populistas, com carinha de tapa-buraco mas de caráter permanente. Ora, não seria o jeitinho brasileiro, o tal "brazilian way" admirado por tantos gringos? Então nos calemos, assistamos à novela das 9, às matérias e matérias sobre a inacreditável mudança nas invejáveis madeixas de Xuxa e, por quê não, elejamos novos tiriricas e Romários. O que é certo, o que é errado? Não percam o próximo capítulo do "brado mudo" ou "impávido destroço", como queiram, caros teliespcts(o qual você acompanhará com sorte, distorcido, em algum jornal chinfrim).
Voltai, ó Deus dos desgraçados. Suplica por nós, Prometeu. Rogai por nós, Virgem Maria. E, para não ser acusada de Eurocêntrica ou racista, Epa bábá, Oxalá!
Paulo Freire, sorte sua estar bem longe dessa merda toda.
Bom, pelo menos eu já passei no vestibular...Mas é que de quando em vez, respinga em mim...Venimim, apocalipse.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
A MENTA E A MENTE
A menta e a mente
Mangando da gente
Pulando na frente
Mentindo melhor.
Quem teu cheiro sente
Se põe, pois, dormente
O nariz tão demente,
Enlouquece de vez.
A cada mordida,
Voraz e temida,
Sorrindo tão alto,
Me toma de assalto.
Sabor venenoso,
De gosto viscoso,
Mentir é o gozo
De quem quer te ter.
17/06/2012
PORQUE COMPONHO.
Porque componho foi uma poesia que me ocorreu numa tarde assim, como tantas outras, de passagem pela caxangá...
Porque Componho
Por um sorriso no fim da tarde
Por mais um beijo que arde
Pra agitar, fazer alarde
Por um abraço do compadre
Vou me enrolando em seis cordas
Me afogando se me
olhas
Com olhar tão marejado
De um mar doce e salgado
Divinas cores e estampas
Vejo, se comigo cantas
Alegrias tantas quantas
Merecemos por viver.
CARTA AOS EXUENSES
Carta aos
exuenses.
Do alto das
espinhas que colorem de rubro meu rosto sem rugas, proponho, pois, que façamos
diferente.
A história do
município de Exu, parodiando Marx, é a história das brigas entre famílias. Para
Ariano Suassuna o nordeste é feudal. Não sei até que ponto o nosso armor
defendeu essa afirmação, mas a realidade é que no município de Exu, os vassalos
continuam agindo como se fosse a política uma guerra- e talvez ainda seja-
comportando-se como soldados de seus senhores, que devem, portanto, agredir
seus adversários(como se todos não estivessem no mesmo barco naufragante)
apenas pela força do hábito, de agirem assim as gerações passadas e
ultrapassadas, arbitraria e irreflexivamente.
Os budistas
chamam de três fogos a cobiça, o orgulho e o erro. Exu está em chamas. O funcionalismo
público, ainda é, ridiculamente, um dos pilares da máquina obsoleta que é o
sistema político falido e desestruturado da cidade, cuja gasolina é a ignorância
do povo. Comprar votos com dinheiro é “old school”, coisa antiga, a moda agora é
falar em democracia e trocar empregos por votos, sendo a cobiça tão inerente ao
eleitor quanto ao eleito. O orgulho está em achar que não só é errado mudar de
lado e pensar diferente, mas em considerar traição e praguejar nas calçadas
sortidas de novidades e más intenções, aquele que ousar em “pular pro lado de cá
ou pro de lá”.
Há um conceito
hindu chamado de Maya, ele pode representar as ilusões pessoais humanas, o
desconhecimento dos defeitos do mundo e dos próprios. Sidarta Gautama, o Buda, viveu
em um castelo sem conhecer a triste realidade que o cercava, repleta de miséria
e de fome, só descobrindo-a ao resolver sair do castelo, onde fora criado, o
que também o fez entender que as pessoas com as quais convivia mentiam-lhe
acerca do mundo. Sidarta só evoluiu ao sair do castelo. Os exuenses devem sair
dos seus castelos de ilusões e mentiras, pois só assim libertar-se-ão da
ignorância que os cega e os algema, mão a mão, ao retrocesso.
O
comportamento político da população de Exu pode ser extremamente enganoso. Para
os desatentos, pode soar como engajamento. O aparente interesse do
povo por política, todavia, embora mascarado por entusiasmo e envolvimento, representa
uma complexa dinâmica cultural de auto-afirmação, vaidade e violência. Como
ventríloquos, os antepassados dos exuenses continuam transmitindo através da
influência magnética da cultura, seus valores violentos, que por sua vez são
aceitos e praticados sem contestação, por uma maioria absoluta, que se permite,
a cada provocação grotesca, a cada música eleitoral estúpida, a cada amigo
perdido, tornar-se uma grande marionete, bizarra e acéfala.
Proponho que
enterremos de vez, junto ao passado sangrento, o presente contaminado, para que
façamos um novo futuro. Proponho que amemos nossas famílias, mas que saibamos
quando for necessário pensar diferente delas. Proponho que limpemos a sujeira,
seja do branco ou do preto de nossas bocas, para usarmos palavras educadas e
agirmos de acordo com elas. Proponho que debatamos, ao invés de brigar, afinal é
assim que se faz política de verdade. Aos velhos de espírito, bem-vindos ao século
21, aos jovens, como diria Gonzaguinha, “vamos lá, fazer o que será”.
Esperançosamente,
Marília Cardoso Parente de Melo.
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