Que mulher nunca sentiu arrepios só de avistar ao longe aquela
camisa estampada e aquele bigode robusto? Qual delas nunca carregou no íntimo a
vontade de desembaraçar com um pente fino de feira os nós nas madeixas
enroladas que o gel pretensiosamente não escondeu? Pergunto-lhe ainda, caro
vivente, que alma feminina nunca desejou uma noite de amor embalada por Wanderléa,
Erasmo, Reginaldo, Ednardo ou Roberto? “Não fale desta mulher perto de mim”.
Vagando pelas ruas cinzas do Recife do século XXI, sinto
falta de girassóis e rosas nas lapelas dos rapazes. Aliás, nem lapelas mais
avisto. Os mancebos se abestalharam pelas incursões norte-americanas di cum
força e um chororô de dizeres tio-sanescos tomou conta do terreiro anecúmeno das
camisas apertadinhas e unicolores. O monocromatismo que acomete os Mauricinhos,
os queques, como diriam os portugueses, é uma ameaça iminente ao charme
masculino. Pobres rapazes desinteressantes. Não se lava calcinha em tanquinho,
cara amiga.
Explico. “O sorriso torto, a obturação exposta e os óculos
malemolentes apoiados sobre o nariz cujas frestas deixam entrever olhos brejeiros
conquistarão, doravante, o coração de uma mulher”, Maria Madalena, capítulo um,
versículo primeiro. Um homem chora, menina morena. E ele também escreve versos
sobre tuas mantas e ancas numa mesa de bar, assim como é forte o suficiente
para não padecer das dores do amor, vide Reginaldo Rossi. O cafuçú é forte o
suficiente para transformar a tristeza em roedeira de posto de BR e ainda por
cima, nos fazer sorrir.
Este escritos são meu pedido desesperado pela preservação da
masculinidade que só o cafuçú tem. Digamos “sim” sem medo, donzelas, à proeminência
abdominal inata aos homens sensíveis. À escola de macheza de Wando e Gainsbourg.
À honestidade cafajeste tão ingênua que mora em um olhar desajeitado, que te
seduz sem ter certeza. À confiança inconteste que reside em um homem sem-vergonha.
Sem vergonha de amar.
