terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Rolezinhos e a leseira nacional

Sou eu na feira, sou eu no shopping. Sou de bike, sou eu de carro. Bom, no carro dos outros. Mas como ninguém chamou a polícia, tá valendo.
O rolé deles não é melhor do que o meu, meu camarada. Então, o porquê da balbúrdia? Também quero mostrar que existo. Tiro onda nas selfie’s, tenho instagram e facebook e adoro me ver em foto. Quero dar matéria também. No fundo, todo mundo quer. Todo mundo, no fundo da cacimba- que a água barrenta das chuvas esconde e enturva na vista- rasga a goela do pensamento num grito que só acaba quando a gente deixa de ser. “Eu existo!Eu existo?”.  Sartre, Dalí, Daleste, que Deus os tenha.  Existencialismo, funk ostentação. Ai, como a gente estratifica. Eita mania da mulesta de competir o bicho-homem tem. Sartre e Daleste: a diferença não importa, importa é o igual. A gente é tudo gente, a gente só quer ser. “Só quer ser o caminhão do lixo”, kakaka, diziam meus amigos de infância de Exu, quando eu desfilava um brinquedo novo.
O povo quer do bom e do melhor. E não quer mais só sapato de Neymar, a corrente de ouro do Mc e os cabelos da global. O povo quer dizer que é tão bom quanto.  Quer mais é torrar a grana suada da entrega das pizzas, da faxina, do batente. Quer ir ao shopping. Quer ocupar mais um espaço que, até então,  lhe fora negado. Quer descer o morro, dar uma descansada da favela. Tudo combinado no face.

Parabéns à indústria cultural. A sociedade de consumo é mais realidade do que nunca. Ela penetrou na mente, varreu o juízo e a pirangagem e fez todo mundo viver de ostentar. Então, pergunto outravezmente, o porquê do burburinho? Você já reparou nos sapatos de Dalí?

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