Sou eu na feira, sou eu no shopping. Sou de bike, sou eu de
carro. Bom, no carro dos outros. Mas como ninguém chamou a polícia, tá valendo.
O rolé deles não é melhor do que o meu, meu camarada. Então,
o porquê da balbúrdia? Também quero mostrar que existo. Tiro onda nas selfie’s,
tenho instagram e facebook e adoro me ver em foto. Quero dar matéria também. No
fundo, todo mundo quer. Todo mundo, no fundo da cacimba- que a água barrenta das
chuvas esconde e enturva na vista- rasga a goela do pensamento num grito que só
acaba quando a gente deixa de ser. “Eu existo!Eu existo?”. Sartre, Dalí, Daleste, que Deus os tenha. Existencialismo, funk ostentação. Ai, como a
gente estratifica. Eita mania da mulesta de competir o bicho-homem tem. Sartre
e Daleste: a diferença não importa, importa é o igual. A gente é tudo gente, a
gente só quer ser. “Só quer ser o caminhão do lixo”, kakaka, diziam meus amigos
de infância de Exu, quando eu desfilava um brinquedo novo.
O povo quer do bom e do melhor. E não quer mais só sapato de
Neymar, a corrente de ouro do Mc e os cabelos da global. O povo quer dizer que
é tão bom quanto. Quer mais é torrar a
grana suada da entrega das pizzas, da faxina, do batente. Quer ir ao shopping. Quer
ocupar mais um espaço que, até então,
lhe fora negado. Quer descer o morro, dar uma descansada da favela. Tudo
combinado no face.
Parabéns à indústria cultural. A sociedade de consumo é mais
realidade do que nunca. Ela penetrou na mente, varreu o juízo e a pirangagem e
fez todo mundo viver de ostentar. Então, pergunto outravezmente, o porquê do
burburinho? Você já reparou nos sapatos de Dalí?
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